Mesmice da propaganda preocupa o mercado.
A matéria de capa da Revista About desse mês constata que o mercado publicitário anda em crise. O desânimo da população, especialmente do maior público-alvo da propaganda, a classe média, associado a clientes temerosos em arriscar e criativos que, encurralados, acabam repetindo a mesma receita de bolo criou um cenário próximo a um “apagão” do humor e da irreverência. Para enfatizar a preocupação do mercado, foram ouvidos profissionais da elite da criação brasileira. Das mais diversas opiniões a conclusão que se chega é que a falta de criatividade ronda as peças publicitárias atualmente. Marcello Serpa (AlmapBBDO) diz que um dos grandes problemas é a falta de otimismo da maioria da população. Já Aaron Sutton (MPM) diz que o problema não está do lado de fora, mas sim na própria propaganda que anda “menos brasileira”. Adriana Cury (McCann Erickson) acrescenta um detalhe para o qual o mercado evita de olhar e diz que “tem muito político se aproveitando da propaganda”. Fábio Fernandes (F/Nazca S&S) completa o pensamento dizendo que “qualquer coisa que limite a liberdade de expressão é uma perda fatal para a propaganda”. Ricardo Chester (JWT) chama a atenção para o processo de aprovação das campanhas baseado na opinião de muitos profissionais. Segundo ele isso é prejudicial, pois raramente uma idéia “fora da caixa” sobrevive ao processo. Apesar desse cenário Marcello Serpa conclui trazendo uma pontinha de esperança: “É uma fase. Vamos passar por ela. Tudo vai depender, porém, de uma guinada de auto-estima da população, pois não podemos nos esquecer que a propaganda é vagão, não a locomotiva”. |